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O interior da Terra, assim como o interior de outros
planetas telúricos, é dividido por critérios químicos numa camada externa
de silício, denominada crosta, um manto altamente viscoso, e um núcleo que
consiste numa porção sólida envolvida por uma pequena camada líquida. Esta
camada líquida dá origem a um campo magnético devido à convecção de seu
material, electricamente condutor.
O material do interior da Terra encontra
frequentemente a possibilidade de chegar à superfície, através de erupções
vulcânicas e fendas oceânicas. Grande parte da superfície terrestre é
relativamente nova, tendo menos de 100 milhões de anos; as partes mais velhas
da crosta terrestre têm até 4,4 mil milhões de anos.
As camadas terrestres, a partir da superfície são:
- Crosta (de 0 a 30/35 km)
- Litosfera (de 0 a 60,2 km)
- Astenosfera (de 100 a 700 km)
- Manto (de 60 a 2900 km)
- Núcleo externo (líquido - de 2900 a 5100 km)
- Núcleo interno (sólido - mais de 5100 km)
O planeta poderá ter-se formado pela agregação de poeira cósmica em rotação, aquecendo-se depois, por meio de violentas reações químicas. O aumento da massa agregada e da gravidade catalisou impactos de corpos maiores. Essa mesma força gravitacional possibilitou a retenção de gases constituindo uma atmosfera primitiva. Os processos de formação do planeta Terra são a acreção, diferenciação e desintegração radioativa.
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Características principais do
planeta Terra
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Raio orbital médio
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149 597 871 km
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Periélio
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147 054 706 km |
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Afélio
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152 141 033 km
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Período orbital
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365 dias, 6 horas
e 9 minutos
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Velocidade orbital média
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29,7847 km/s
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Satélites naturais
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Lua
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Diâmetro equatorial
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12 756,27 km
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Área da superfície
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5,10072 × 108 km²
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Densidade Média
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5,515 g/cm³
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Massa
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5,9742 × 1024 kg
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Variação de Temperatura
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-84,15 a 59,85 ºC
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No seu todo, a Terra possui,
aproximadamente, a seguinte composição em massa:
34,6% de Ferro ,30,2% de Oxigénio, 15,2% de Silício, 12,7% de Magnésio, 4% de Níquel, 1,9% de Enxofre,0,05% de Titânio.
O interior da Terra atinge temperaturas de 5.270 K. O calor interno do
planeta foi gerado inicialmente durante sua formação, e calor adicional é
constantemente gerado pelo decaimento de elementos radioativos como urânio,
tório, e potássio. O fluxo de calor do interior para a superfície é pequeno se
comparado à energia recebida pelo Sol (a razão é de 1/20 000).
Núcleo
A
massa específica média da Terra é de 5,515 toneladas por metro cúbico, fazendo
dela o planeta mais denso no Sistema Solar. Uma vez que a massa específica do
material superficial da Terra é apenas cerca de 3000 quilogramas por metro cúbico,
deve-se concluir que materiais mais densos existem nas camadas internas da
Terra (devem ter uma densidade de cerca de 8.000 quilogramas por metro cúbico).
Em seus primeiros momentos de existência, há cerca de 4,5 bilhões de anos, a
Terra era formada por materiais líquidos ou pastosos, e devido à ação da
gravidade os objetos muito densos foram sendo empurrados para o interior do
planeta (o processo é conhecido como diferenciação planetária), enquanto que
materiais menos densos foram trazidos para a superfície. Como resultado, o
núcleo é composto em grande parte por ferro (80%), e de alguma quantidade de
níquel e silício. Outros elementos, como o chumbo e o urânio, são muitos raros
para serem considerados, ou tendem a se ligar a elementos mais leves,
permanecendo então na crosta.
O núcleo é
dividido em duas partes: o núcleo sólido, interno e com raio de cerca de
1.250 km, e o núcleo líquido, que envolve o primeiro. O núcleo sólido é
composto, segundo se acredita, primariamente por ferro e um pouco de níquel.
Alguns argumentam que o núcleo interno pode estar na forma de um único cristal
de ferro. Já o núcleo líquido deve ser composto de ferro líquido e níquel
líquido (a combinação é chamada NiFe), com traços de outros elementos.
Estima-se que realmente seja líquido, pois não tem capacidade de transmitir
certas ondas sísmicas. A convecção desse núcleo líquido, associada a agitação
causada pelo movimento de rotação da Terra, seria responsável por fazer
aparecer o campo magnético terrestre, através de um processo conhecido como
teoria do dínamo. O núcleo sólido tem temperaturas muito elevadas para manter
um campo magnético (veja temperatura Curie), mas provavelmente estabiliza o
campo magnético gerado pelo núcleo líquido.
Evidências
recentes sugerem que o núcleo interno da Terra pode girar mais rápido do que o
restante do planeta, a cerca de 2 graus por ano.
Tanto entre
a crosta e o manto como entre o manto e o núcleo existem zonas intermediárias
de separação, as chamadas descontinuidades.
Manto
O manto
estende-se desde cerca de 30 km e por uma profundidade de 2900 km. A
pressão na parte inferior do mesmo é da ordem de 1,4 milhões de atmosferas. É
composto por substâncias ricas em ferro e magnésio. Também apresenta
características físicas diferentes da crosta. O material de que é composto o
manto pode apresentar-se no estado sólido ou como uma pasta viscosa, em virtude
das pressões elevadas. Porém, ao contrário do que se possa imaginar, a
tendência em áreas de alta pressão é que as rochas mantenham-se sólidas, pois
assim ocupam menos espaço físico do que os líquidos. Além disso, a constituição
dos materiais de cada camada do manto tem seu papel na determinação do estado
físico local.
O manto superior
pode deslocar-se vagarosamente. As temperaturas do manto variam de 100 graus
Celsius (na parte que faz interface com a crosta) até 3500 graus Celsius (na
parte que faz interface com o núcleo).
Crosta
A crosta (que forma a
maior parte da litosfera) tem uma extensão variável de acordo com a posição
geográfica. Em alguns lugares chega a atingir 70 km, mas geralmente
estende-se por aproximadamente 30 km de profundidade. É composta
basicamente por silicatos de alumínio.
A superfície Terrestre
O terreno da superfície
terrestre varia significativamente de região para região. Cerca de 70,8% da
superfície terrestre é coberta por água, com muito da plataforma continental
localizado abaixo do nível do mar. A superfície submergida possui características
montanhosas, incluindo um sistema dorsal oceânica global, bem como vulcões
oceânicos, fossas oceânicas, vales oceânicos, planaltos oceânicos e planícies
abissais. Os 29,2% restantes não coberto por água consistem de montanhas,
desertos, planícies, planaltos e outras geomorfologias.
O formato
da superfície da Terra muda gradualmente ao longo de períodos geológicos,
devido aos efeitos da erosão e das placas tectónicas. Características
geológicas criadas ou deformadas pelas placas tectónicas estão sujeitos a
condições tais como precipitação, ciclos termais e efeitos químicos, bem como a
geleiras, erosão litoral, recifes de corais e impactos de grandes meteoritos,
que constantemente modelam o terreno da superfície terrestre.
A pedosfera é a camada
mais externa da Terra que é composta por solo, e é sujeita a pedogénese. A
pedosfera é modelada através da interação da litosfera, da atmosfera, da
hidrosfera e da biosfera. No presente, cerca de 13,31% da superfície de terra
firme do planeta é arável, com apenas 4,71% de área cultivável permanentes.
Cerca de 40% da terra firme é utilizada para a agricultura e a pastagem dos
animais, com 3,4×107 km² utilizados como pastagens e 1,3×107 km²
utilizados como terrenos agrículas.
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O envoltório atmosférico primordial actuou como
isolante térmico, criando o ambiente na qual se processou a fusão dos materiais
terrestres. Os elementos mais densos e pesados, como o ferro e o níquel,
migraram para o interior; os mais leves localizaram-se nas proximidades da
superfície. Dessa forma, constituiu-se a estrutura interna do planeta, com a
distinção entre o núcleo, manto e crosta (litosfera). O conhecimento dessa
estrutura deve-se à propagação de ondas sísmicas geradas pelos terremotos. Tais
ondas, medidas por sismógrafos, variam de velocidade ao longo do seu percurso
até a superfície, o que prova que o planeta possui estrutura interna
heterogénea, ou seja, as camadas internas possuem densidade e temperatura
distintas.
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A partir do arrefecimentp superficial do magma, consolidaram-se as
primeiras rochas, chamadas magmáticas ou ígneas, dando origem a estrutura
geológica denominado escudos cristalinos ou maciços antigos. Formou-se, assim,
a litosfera ou crosta terrestre. A libertação de gases decorrente da
volatização da matéria sólida devido a altas temperaturas e também,
posteriormente, devido ao resfriamento, originou a atmosfera, responsável pela
ocorrência das primeiras chuvas e pela formação de lagos e mares nas áreas
rebaixadas. Assim, iniciou-se o processo de intemperismo (decomposição das
rochas) responsável pela formação dos solos e consequente início da erosão e da
sedimentação.
As partículas minerais que compõem os solos,
transportados pela água, dirigiram-se, ao longo do tempo, para as depressões
que foram preenchidas com esses sedimentos, constituindo as primeiras bacias
sedimentares (bacias sedimentares são depressões da crosta, de origem diversa,
preenchidas, ou em fase de preenchimento, por material de natureza sedimentar),
e, com a sedimentação (compactação), as rochas sedimentares. No decorrer desse
processo, as elevações primitivas (pré-cambrianas) sofreram enorme desgaste
pela ação dos agentes externos, sendo gradativamente rebaixadas. Hoje,
apresentam altitudes modestas e formas arredondadas pela intensa erosão,
constituindo as serras conhecidas no Brasil como serras do Mar, da Mantiqueira,
do Espinhaço, e, em outros países, os Montes Apalaches (EUA), os Alpes
Escandinavos (Suécia e Noruega), os Montes Urais (Rússia), etc. Os escudos
cristalinos ou maciços antigos apresentam disponibilidade de minerais metálicos
(ferro, manganês, cobre), sendo por isso, bastante explorados economicamente.
Nos dobramentos terciários podem haver
qualquer tipo de minério. O carvão mineral e o petróleo são frequentemente
encontrados nas bacias sedimentares. Já os dobramentos modernos são os grandes
alinhamentos montanhosos que se formaram no contato entre as placas tectónicas
em virtude do seu deslocamento a partir do período Terciário da era Cenozóica,
como os Alpes (sistema de cordilheiras na Europa que ocupa parte da Áustria,
Eslovénia, Itália, Suíça, Liechtenstein, Alemanha e França), os Andes (a oeste
da América do Sul), o Himalaia (norte do subcontinente indiano), e as Montanhas
Rochosas.

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