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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Observado O maior Buraco Negro Já Encontrado


Imaginemos que estamos cada vez mais próximo de algumas respostas paras as perguntas sobre a origem da terra, o Tempo,Universo a existência. 
O Telescópio Magalhães do observatório Las Campanas, no Chile avistou pela primeira vez um quasar com um buraco negro Supermaciço, com 800 milhões de vezes a massa do nosso Sol. É o mais antigo e o mais distante buraco negro alguma vez observado.


* é um objecto astronómico distante e poderosamente energético com um núcleo galáctico activo, de tamanho maior que o de uma estrela, porém menor do que o mínimo para ser considerado uma galáxia



Fonte :REVISTA DE IMPRENSA

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Nasa Descobre Novos Sistemas Solares com chances de Planetas idênticos a terra

Segundo a agência espacial norte-americana, um time internacional de astrônomos descobriu um sistema solar composto não por um, mas por sete planetas do tamanho da Terra, e as medições realizadas pelos cientistas indicaram todos eles podem ser rochosos. E tem mais: pelo menos três desses mundos se encontram orbitando na zona habitável de sua estrela, o que significa que eles podem, potencialmente, abrigar água em sua forma líquida.



esse sistema se encontra relativamente perto de nós, a cerca de 40 anos-luz de distância, na constelação de Aquário. Os planetas orbitam ao redor de uma anã vermelha — uma classe de estrela mais fria e com brilho mais tênue — chamada Trappist-1, cuja massa corresponde a apenas 8% da massa do nosso Sol, e foram batizados de momento pelas siglas Trappist B ao H.

Este é o sistema solar com o maior número de planetas rochosos e que potencialmente poderiam abrigar água em sua forma líquida na superfície já descoberto até agora


Este é o sistema planetário com o maior número de mundos com dimensões semelhantes às da Terra e que potencialmente abrigam água já descoberto até agora, e seria semelhante ao sistema formado por Júpiter e suas luas, Calisto, Io, Europa e Ganímedes. Na verdade, os cientistas voltaram sua atenção para esse sistema em maio do ano passado, depois que eles detectaram a existência de três planetas orbitando ao redor da Trappist-1.

A confirmação de que havia mais planetas nesse sistema solar só aconteceu nos meses seguintes, depois que diversos telescópios aqui da Terra foram apontados para a estrela. Os astrônomos sabem que os mundos de B a G existem com certeza e são possivelmente rochosos, mas ainda precisam confirmar que o H realmente está lá.

Os astrônomos ainda têm muito o que descobrir sobre o sistema planetário


O planeta que se encontra mais próximo da Trappist-1, o B, demora apenas um dia para completar uma órbita ao redor da estrela, enquanto que o que está mais distante leva 12. Além disso, os três primeiros provavelmente se situam perto demais de seu sol e, portanto, podem ser quentes demais para abrigar água líquida, enquanto que o H (se sua existência for confirmada) se encontra muito distante, o que significa que ele pode ser um mundo gelado.

Entretanto, os demais planetas, Trappist E, F e G, se encontram na distância ideal para abrigar água líquida em sua superfície e poderiam, potencialmente, abrigar formas de vida. Ademais, esse sistema é bastante compacto e organizado, já que seus planetas se encontram em um mesmo plano — tal como o nosso sistema solar —, suas órbitas seguem um ritmo periódico e a gravidade de cada mundo influencia a órbita do planeta que se encontra mais próximo.
Com relação à possibilidade de esses planetas abrigarem formas de vida, os astrônomos disseram que ainda é cedo demais para dizer. Entretanto, eles explicaram que a Trappist-1 é uma estrelinha bem jovem e consome hidrogênio a um ritmo tão lento, que ela ainda deve “viver” por mais 10 trilhões de anos.
Sendo assim, mesmo que não existam organismos vivos por lá ainda, quando o nosso Sol morrer, daqui alguns bilhões de anos, isso terá dado tempo suficiente para que alguma forma de vida possa evoluir em um dos planetas que orbitam ao redor da estrela anã. Seja como for, os astrônomos passarão os próximos anos estudando esse sistema planetário, portanto, teremos que aguardar por mais novidades!

Fonte:www.megacurioso.com.br

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

ALMA obtém imagens inéditas do Sol

Foto cedida em 17 de janeiro de 2017 pelo European Southern Observatory mostra imagem feita pelo radiotelescópio ALMA de uma mancha solar



O radiotelescópio ALMA, situado no norte do Chile, obteve imagens inéditas e detalhadas de uma mancha solar e da cromosfera do Sol, o que converte este instrumento em uma importante fonte para o estudo do astro.
Entre 2014 e 2016, uma equipe de astrônomos do Chile, Japão e Estados Unidos apontou pela primeira vez as antenas do Atacama Large Milimeter/Submilimeter Array (ALMA) para o Sol e conseguiu captar detalhes surpreendentes do centro escuro e retorcido de uma mancha solar, junto à luz emitida em comprimentos de onda milimétricos pela cromosfera, uma das camadas menos conhecidas do astro, registros nunca antes obtidos.
"É um grande êxito para o ALMA, um momento mágico para a comunidade solar", afirmou nesta terça-feira Pierre Cox, diretor do observatório, durante uma coletiva de imprensa em Santiago.
Os astrônomos utilizaram até 50 das 66 antenas do radiotelescópio situado a mais de 5.000 metros de altitude na Planície Chajnantor, sobre o deserto do Atacama.
O ALMA alcançou comprimentos de onda de entre 110 e 230 GHZ, equivalentes a um e três milímetros, que permitiriam estudar todo o espectro magnético através de comprimentos de ondas longas, que os telescópios solares que estudam o astro não conseguem alcançar.
Com isto, o ALMA demonstra sua capacidade de estudar a atividade solar, apesar de ter sido projetado para observar particularmente objetos de pouca luz e muito distantes no universo, afirmaram os especialistas.
"Nenhum outro telescópio pode observar o sol com a capacidade de antenas que o ALMA tem", afirmou Antonio Hales, astrônomo chileno e membro da equipe que obteve as imagens do Sol.
Após as imagens serem divulgadas, o ALMA recebeu 54 propostas científicas para estudar o Sol, das quais 15 foram qualificadas como prioritárias pela direção do radiotelescópio.
"Esperamos nos próximos anos estudar em maiores frequências a polarização do Sol, as estruturas do campo magnético, as erupções solares e coincidir os resultados com estudos anteriores", afirmou Cox.
Os especialistas esperam, ainda, que as observações do ALMA ajudem a compreender as características de outras estrelas e que colaborem na busca de outros planetas.
O ALMA, que começou a explorar o universo em outubro de 2011, é um empreendimento conjunto no qual participam a Europa, Estados Unidos e Japão, em cooperação com o Chile.

“Planeta 9” orbitando nosso sol pode ter vindo de fora do sistema solar



No ano passado, os cientistas viram sinais de que havia algo enorme e invisível espreitando nosso sistema solar.
Acredita-se que o planeta gigante e oculto, possui 10 vezes a massa da Terra. Ele demoraria 10.000 a 20.000 anos para dar a volta no sol.
Mas a história do Planeta 9 pode ser ainda mais estranha: os cientistas acreditam que ele era um planeta flutuante, à deriva, que pode ter sido capturado pelo nosso sistema solar.
James Vesper, da Universidade do Estado do Novo México, disse durante uma conferência de imprensa da American Astronomical Society que é bem “plausível que o Planeta 9 tenha sido capturado pelo nosso sistema solar”.
Vesper e seus colegas simularam 156 diferentes encontros entre nosso sistema solar e corpos celestes.
Vesper escreveu: “Planetas flutuantes, à deriva, podem ser abundantes na galáxia. Vários têm sido observados na nossa vizinhança solar.”
“Eles podem superar em números até mesmo as estrelas, e podem ser parcialmente responsáveis pela matéria escura na galáxia, como resultado da formação circumbinar do planeta.”
“Especulamos que há vários desses planetas flutuantes, então o Planeta 9 pode ser um deles.”


quarta-feira, 2 de novembro de 2016

MISTÉRIO POR TRÁS DO NASCIMENTO DOS ANÉIS DE SATURNO







Uma equipa de investigadores apresentou um novo modelo para a origem dos anéis de Saturno com base em resultados de simulações de computador. Os resultados das simulações são também aplicáveis a anéis de outros planetas gigantes e explicam as diferenças composicionais entre os anéis de Saturno e Úrano. Os achados foram publicados dia 6 de outubro na edição online da Icarus.

Os planetas gigantes do nosso Sistema Solar têm anéis muitos diversos. As observações mostram que os anéis de Saturno são constituídos por mais de 95% de partículas geladas, enquanto os anéis de Úrano e Neptuno são mais escuros e podem ter um maior conteúdo rochoso. Desde que os anéis de Saturno foram observados pela primeira vez no século XVII, a investigação dos anéis cresceu de telescópios terrestres até naves como as Voyager ou a Cassini. No entanto, a origem dos anéis ainda não era clara e os mecanismos que levaram aos diversos sistemas de anéis eram desconhecidos.


O estudo presente centrou-se no período chamado Último Grande Bombardeamento que se pensa ter ocorrido há 4 mil milhões de anos atrás no nosso Sistema Solar, quando os planetas gigantes passaram por uma migração orbital. Pensa-se que existiam vários milhares de objetos com o tamanho de Plutão (um-quinto do tamanho da Terra) oriundos da Cintura de Kuiper para lá de Neptuno. Primeiro, os cientistas calcularam a probabilidade de estes objetos passarem perto o suficiente dos planetas gigantes para serem destruídos pelas forças de maré durante o Último Grande Bombardeamento. Os resultados mostraram que Saturno, Úrano e Neptuno tiveram encontros próximos com estes corpos celestes múltiplas vezes.


Seguidamente, o grupo usou simulações de computador para investigar a perturbação destes objetos da Cintura de Kuiper devido a forças de maré quando passaram pela vizinhança dos planetas gigantes (figura a). Os resultados das simulações variam dependendo das condições iniciais, como a rotação dos objetos em passagem e da sua aproximação mínima ao planeta. No entanto, descobriram que, em muitos casos, os fragmentos entre 0,1 e 10% da massa inicial dos objetos passageiros foram capturados em órbitas em redor do planeta (figuras a, b). Descobriu-se que a massa combinada destes fragmentos capturados é suficiente para explicar a massa dos anéis em redor de Saturno e Úrano. Por outras palavras, estes anéis planetários foram formados quando objetos suficientemente grandes passaram muito perto dos gigantes e foram destruídos.

Os investigadores também simularam a evolução a longo prazo dos fragmentos capturados, usando supercomputadores do Observatório Astronómico Nacional do Japão. A partir destas simulações, descobriram que os fragmentos capturados com um tamanho inicial de vários quilómetros devem ter sofrido colisões a alta-velocidade, repetidamente, e gradualmente ter sido quebrados em pedaços pequenos. Estas colisões entre fragmentos também circularizaram as órbitas e levaram à formação dos anéis observados atualmente (figuras b, c).

Este modelo também pode explicar as diferenças de composição entre os anéis de Saturno e de Úrano. Em comparação com Saturno, Úrano (e também Neptuno) tem uma maior densidade (a densidade média de Úrano é 1,27 g cm-3 e a de Neptuno é 1,64 g cm-3, enquanto a de Saturno é de 0,69 g cm-3). Isto significa que nos casos de Úrano e Neptuno, os objetos que passam muito perto da sua vizinhança podem sofrer forças de maré extremamente fortes (Saturno tem uma densidade mais baixa e uma maior relação diâmetro-massa, de modo que se os objetos passam demasiado perto colidem com o próprio planeta). Como resultado, se os objetos da Cintura de Kuiper tiverem estruturas em camadas, como um núcleo rochoso com um manto gelado, e passarem bastante perto de Úrano e Neptuno, além do manto gelado, até o núcleo rochoso será destruído e capturado, formando anéis. Isto explica as diferentes composições dos anéis.



Estes resultados ilustram que os anéis dos planetas gigantes são subprodutos naturais do processo de formação planetária do nosso Sistema Solar. Isto implica que os planetas gigantes descobertos em redor de outras estrelas têm, provavelmente, anéis formados por um processo semelhante. Há pouco tempo foi divulgada a descoberta de um sistema de anéis em torno de um exoplaneta, e as descobertas adicionais de anéis e satélites em redor de exoplanetas irá avançar a nossa compreensão da sua origem.






sexta-feira, 22 de abril de 2016

9 Galáxias Anãs são Descobertas Orbitando a Via Láctea



Astrônomos analisaram dados de imagem do Dark Energy Survey para descobrir nove novos potenciais galáxias anãs que orbitam a nossa própria galáxia – é o maior número já descoberto de uma vez. Os resultados, publicados como dois estudos disponíveis no arXiv, podem ajudar a explicar alguns dos mistérios sobre a matéria escura, a substância invisível que mantém as galáxias juntas.
A matéria escura representa 25% de toda a matéria e energia do universo, e sua presença só é conhecida através de sua atração gravitacional. Galáxias anãs contém até 99% de matéria escura, deixando apenas 1% de matéria observável. Três das novas satélites são definitivamente galáxias anãs, e as outras poderiam ser galáxias anãs, mas elas também poderim ser aglomerados globulares. Estes são como galáxias anãs, exceto que eles não são mantidos em conjunto com a matéria escura.
Estas são as primeiras galáxias anãs a serem descobertas desde que dezenas foram vistas em 2005 e 2006 a partir do hemisfério norte. As nove novas satélites foram encontrados em um pequeno pedaço de céu do hemisfério sul, perto das galáxias irregulares Grande e Pequena Nuvem de Magalhães, as maiores [galáxias] anãs em órbita da Via Láctea. Estes novos objetos são cerca de um milhão de vezes menos massivos e um bilhão de vezes mais fracos do que a Via Láctea, que contém centenas de bilhões de estrelas. É por isso que tem sido tão difíceis de serem encontrados.
As distâncias variam de cerca de 95.000 anos-luz a 1,2 milhões de anos-luz da Terra. A mais próxima está localizada na constelação do Retículo a meio caminho das Nuvens de Magalhães, e está em vias de ser dilacerada pelas forças de maré. O mais distante dos objetos está na constelação de Eridanus à margem da Via Láctea, e que está prestes a ser atraída pela nossa galáxia.
“Estes resultados são muito intrigantes”, diz Wyn Evans, de Cambridge, em um comunicado à imprensa. “Talvez elas eram satélites que orbitavam as Nuvens de Magalhães e foram expulsas pela interação da Pequena e Grande Nuvem de Magalhães. Talvez elas fizessem parte de um grupo gigantesco de galáxias que, juntamente com as Nuvens de Magalhães, estão sendo atraídas em direção em nossa Via Láctea”.
Seis das nove galáxias recém-descobertas são rotuladas nesta imagem com as Nuvens de Magalhães e o Observatório de Paranal, no deserto do Atacama, no Chile. As outras três estão fora do campo de visão.
Dark Energy Survey, com sede no Laboratório Nacional do Acelerador Fermi, procura fotografar o céu do hemisfério sul em detalhes sem precedentes usando sua Câmera de Matéria Escura de 570 megapixels. Montada em um telescópio no Observatório Interamericano de Cerro Tololo, na Cordilheira dos Andes, no Chile, a câmera faz com que seja possível ver galáxias até 8 bilhões de anos-luz de distância. Estas novas descobertas foram feitas de forma independente por pesquisadores de Cambridge liderados por Sergey Koposov e uma equipe do Fermilab liderada por Alex Drlica-Wagner. [IFLScience]

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Sedna: O nono Planeta

As raízes da descoberta de Brown e Batygin vêm de outro objeto distante do sistema solar encontrado por Brown. Sedna é um objeto estranho em uma órbita curiosa, que não condiz com o comportamento de outros objetos distantes (incluindo Plutão) no que é chamado de Cinturão de Kuiper. Quando os astrônomos Chad Trujillo e Scott Sheppard descobriram um segundo objeto semelhante à Sedna em uma órbita estranha, Brown e Batygin ficaram desconfiados.
Aparentemente os seis objetos mais proeminentes nas partes mais distantes do sistema solar têm órbitas que apontam para a mesma direção e se aproximam do sol em locais muito similares. As chances disso acontecer apenas pelo acaso foram estimadas por Batygin como sendo astronômicas. De repente, os cientistas — que haviam dado início ao processo com o objetivo de provar que não existia um grande planeta ainda não descoberto em nosso sistema solar — começaram a pensar se esta hipótese realmente seria verdade. Quando eles descobriram que suas projeções para o Planeta Nove eram capazes de prever com precisão a existência de alguns outros objetos estranhos e distantes no sistema solar, as coisas começaram a fazer mais sentido.

A órbita excêntrica do Planeta Nove. (Imagem: Caltech/R. Hurt (IPAC)

Ainda assim, sem uma evidência visual, o Planeta Nove se mantém como uma teoria — e muitos astrônomos se mantêm céticos. Scott Sheppard disse ao Washington Post que dá 60% de chance de que ele seja real. A revista Scientific American afirma que o cientista planetário Hal Levison expressou um grande ceticismo: “Eu já vi muitas, muitas alegações na minha carreira, e todas elas estavam erradas.” Brown está (como esperado) mais confiante em relação à descoberta, estimando suas chances em 90%. E o teórico Alessandro Morbidelli se mostrou muito entusiasmado, dizendo ao New York Times: “Eu apostaria dinheiro nisso. Apostaria U$10.000.”

Mas ele é realmente um planeta?

Dado o status único de Brown como o assassino de Plutão, vale a pena considerar se um objeto tão estranho e tão longe do sistema solar poderia se encaixar na nossa definição atual de planeta. Brown defendeu sua tese em seu próprio website: “Não importa onde ele está, a única coisa que nós sabemos ao certo sobre o Planeta Nove é que ele está dominando a borda externa do sistema solar,” ele escreveu. “Isso é suficiente para transformá-lo em um planeta pelos cálculos de qualquer um.”
Se o Planeta Nove realmente existe, como ele é? Ainda não se sabe. Brown sugeriu que ele pode ter um núcleo de pedras e gelo com uma atmosfera leve, ou pode ser mais como Urano ou Netuno, um núcleo de pedras com uma camada de gases maior ao seu redor.
Mesmo se o Planeta Nove for observado em breve, vai demorar para que saibamos mais sobre ele. Sua localização é tão longínqua que provavelmente levaríamos décadas para considerar a possibilidade de enviar uma sonda para explorá-lo. (Vale lembrar que acabamos de visitar Plutão com a aeronave New Horizons — uma missão que levou quase uma década para chegar ao seu destino final, e este novo planeta está muito mais distante do que o ex-planeta do nosso sistema.) Como sempre, cada nova descoberta apresenta diversas novas perguntas aos astrônomos.

Fonte:Jason Snell | yahoo

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Evidências de que existe um nono planeta no sistema solar

(Imagem: Caltech/R. Hurt (IPAC))

Uma década atrás, Mike Brown ajudou a alterar a classificação de Plutão de “planeta” para “planeta anão.” Agora, o astrônomo e um dos seus colegas do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos, podem ter encontrado um novo planeta orbitando em nosso sistema solar. Ele seria dramaticamente maior do que Plutão, e estaria muito mais longe do que ele.

Conforme informações do próprio Brown e de seu colega astrônomo Konstantin Batygin divulgadas na quarta-feira no Astronomical Journal, este novo planeta teria aproximadamente 10 vezes o tamanho da Terra, e demoraria cerca de 20 mil anos para realizar uma única órbita ao redor do sol. Seu tamanho estimado — entre o tamanho da Terra e de Netuno — é diferente do de qualquer outro corpo em nosso sistema solar, mas corresponde ao tamanho mais comum de planetas encontrados em outros sistemas.
Os astrônomos têm caçado um “Planeta X” ainda não descoberto há quase dois séculos, geralmente sem sucesso. A exceção: a presença de Netuno em nosso sistema solar foi prevista através da observação de irregularidades na órbita de Urano — e depois confirmada por meio da observação usando telescópios. A descoberta de Brown e Batygin é similar, pois os cálculos matemáticos sugerem fortemente que há um planeta maior fazendo uma órbita estranha depois de Plutão. Mas até que alguém realmente possa vê-lo com um telescópio, tudo não passa de uma teoria.
Até recentemente, a sabedoria popular acreditava que tínhamos terminado de encontrar grandes objetos em nosso sistema solar. Em 2006, quanto Plutão perdeu sua condição de planeta, Brown afirma ter dito a muitas pessoas, “É isso. É o fim dos planetas. Temos oito neste sistema solar e isso terá que ser o suficiente.” Uma pesquisa feita pelo satélite Widefield Infrared Survey Explorer (WISE), da NASA, essencialmente provou que não poderia haver nada com tamanho igual ou maior do que o de Saturno localizado mais além de Plutão.
O “Planeta Nove” teórico de Batygin e Brown — os cientistas até criaram um website em findplanetnine.com — está abaixo do limite de tamanho da WISE, já que é menor que Netuno. Como ele estaria muito longe do sol, há pouquíssima luz e calor, fazendo com que seja extraordinariamente difícil detectar objetos menores. A busca já está sendo realizada em telescópios posicionados no mundo inteiro, mas é como procurar uma agulha no palheiro, e no escuro. Brown e Batygin estão usando o telescópio Subaru, no Havaí, Estados Unidos, paraprocurar o objeto, mas pode ser que eles demorem até cinco anos para encontrá-lo.
Fonte:Jason Snell | yahoo

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Como é possivél descobrir estrutura gigante e invisível no espaço?

Astrônomos acreditam ter encontrado estruturas gigantes e "invisíveis" na Via Láctea.
O estudo, da Organização para a Investigação Industrial e Científica da Commonwealth da Austrália (Csiro), as descreve como objetos em forma de macarrão ou folhas e teriam o tamanho aproximado da órbita da Terra em torno do Sol.
Esses objetos ficam "invisíveis" num primeiro momento, por que não refletem a luz, ou seja, passam despercebidos quando observa. Segundo os cientistas, isso sugere que eles sejam desprovidos de poeira ou outro material mais sólido.
Espaço: Foto de estrelas tirada do observatório La Silla, no Chile

O estudo, publicado na Revista Science, diz ainda que as estruturas parecem ser grandes aglomerações de algum tipo de material, possivelmente nuvens de gás frio, geralmente encontradas entre as estrelas. O interessante é que a descoberta pode ajudar a explicar onde está um grupo da matéria que "desapareceu" do universo, conhecido como o problema de Baryon.
Os cientistas descobriram também a velocidade das estruturas. Elas estão se movendo a cerca de 50 quilômetros por segundo através do meio interestelar. Além disso, estão a 3.000 anos-luz de distância - ou 1.000 vezes mais longe do que a estrela mais próxima de nós.
Os astrônomos perceberam os primeiros sinais da existência desses objetos misteriosos 30 anos atrás, mas os episódios foram tão difíceis de encontrar que os pesquisadores tinham desistido de procurar por eles.
De onde elas vêm e quantos anos têm, no entanto, ainda é um mistério. "Tudo isso ainda é uma teoria", diz o autor do estudo, Keith Bannister. "Mas pode haver milhares de objetos como esses na galáxia", completa.
Fonte: Exame

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Descoberto Buraco negro monstruoso, 12 bilhões de vezes maior que o nosso Sol



Nas profundezas do universo, pesquisadores da Universidade de Pequim descobriram um jovem e monstruoso buraco negro supermassivo, estimado em 12 bilhões de vezes a massa do nosso Sol, sendo um dos maiores já registrados.


Usando dados do Sloan Digital Sky Survey, Micron All Sky-Survey, e Wide-field Infrared Survey Explorer, o incrível corpo foi encontrado, tendo seu tamanho medido através da luminosidade em torno dele. Graças a sua imensa gravidade, os buracos negros estão, constantemente, sugando gases e outros materiais de suas proximidades. Este processo aquece o gás de tal forma, que emite energia intensa e radiação térmica incrivelmente brilhante.
Esta energia luminosa é conhecido como um quasar (abreviação de quasi-stellar radio source, ou fonte de rádio quase-estelar), e pode conter muitas pistas sobre o interior do buraco negro. "Usando espectroscopia, detectamos a emissão de luz em torno de buracos negros, então usamos as propriedades deste gás e de sua distância para estimar a massa do buraco negro", explicou Xue Wu-Bing, o principal pesquisador do estudo, à revista Popular Science.
Este gigante talvez não seja apenas um dos maiores buracos negros supermassivos já encontrados, como também a maior descoberta sobre início do universo. Acredita-se que este buraco negro exista a 12,8 bilhões de anos-luz de distância da Terra, ou seja, a luz que nós estamos vendo em seu entorno é relativamente jovem, possuindo apenas 900 milhões de anos. (Isso também significa que não há nenhuma chance dele engolir a Terra, caso você esteja preocupado). Acredita-se que o Big Bang tenha ocorrido 13,8 bilhões de anos atrás.



Dada a forma deste buraco negro, sua imensa massa é surpreendente para os cientistas. Isso significa que o buraco negro tenha crescido constantemente a uma taxa muito alta, logo após o Big Bang, algo considerado muito raro, nessas proporções.
"As pessoas assumem que há uma taxa de crescimento rápida para estes buracos negros, mas a energia liberada pelo buraco negro, muitas vezes, interrompe o fluxo de material novo. Por isso ele não cresce tão rápido ao longo de sua vida útil", disse Bram Venemans, astrônomo do Instituto Max Planck, que escreveu um comentário sobre a pesquisa.
"Mas esse buraco negro deve ter crescido perto de uma taxa máxima para a maioria de seu tempo de vida, sem interrupção causada pela produção de energia. Ainda está além dos limites do que é possível. É surpreendente que isso tenha acontecido de forma tão eficiente por um longo tempo",acrescentou Venemans.

terça-feira, 23 de junho de 2015

Vida em Marte?




Os cientistas descobriram uma pista importante sobre a possível evidência de vida em Marte, depois de extraírem metano de rocha marciana.

Pesquisadores analisaram amostras de meteoritos oriundos de Marte e descobriram que seis meteoritos diferentes - representando a rocha vulcânica do planeta vermelho - continham metano. A descoberta é significativa, pois indica que o gás poderia ter sido usado como uma fonte de alimento de vida simples, por baixo da superfície de Marte, da mesma forma como acontece na Terra.
"Um dos mais excitantes desenvolvimentos na exploração de Marte tem sido a sugestão de metano na atmosfera marciana. Recentes e futuras missões feitas pela NASA e ESA, respectivamente, estão se atentando a isso. No entanto, ainda não se sabe de onde o metano vem, e até mesmo se ele realmente está lá”, disse John Parnell, da Universidade de Aberdeen, que liderou a pesquisa.
Sua pesquisa, no entanto, proporcionou uma forte indicação de que as rochas em Marte contêm, de fato, um grande reservatório de metano. As seis amostras de meteoritos de rocha vulcânica de Marte continham gases na mesma proporção e com a mesma composição isotópica da atmosfera marciana. Todas as amostras também continham metano, que foi medido pelo esmagamento das rochas, evidenciando o gás emergente através de um espectrômetro de massa. A equipe também examinou dois meteoritos não-marcianos que continham poucas quantidades de metano.
A descoberta sugere a possibilidade de que o metano possa ser usado como uma fonte de alimento pelas formas rudimentares de vida abaixo da superfície do planeta. Na Terra, os micróbios fazem isso em uma variedade de ambientes. "Embora não possamos dizer que esta descoberta é a prova da existência de vida em Marte, dá um forte incentivo para continuarmos procurando fontes de metano que poderiam suportar vida”, acrescentou Parnell.
A pesquisa também tem um outro significado. O metano é um ponto de partida para moléculas orgânicas complexas. "Nosso trabalho implica que, em muitos outros planetas vulcânicos rochosos, tanto em nossa galáxia quanto em outras, pode haver metano, o que poderia contribuir para os blocos de construção da vida", disse Parnell.
A descoberta foi feita como parte de um projeto de investigação conjunta realizada pela Universidade de Aberdeen, na Escócia, em colaboração com o Centro Escocês de Universidades de Pesquisa Ambiental, Universidade de Glasgow, além da Brock University e da Universidade de Western Ontario, ambas no Canadá.
Professor Nigel Blamey, da Universidade Brock, disse: "As medições que fizemos em amostras da Terra ao longo de muitos anos nos deu a confiança de que poderíamos obter esses dados importantes a partir destes pequenos pedaços de meteoritos oriundos de Marte. O método que usamos pode detectar quantidades extremamente pequenas de gases como o metano, e pretendemos expandir nossa pesquisa analisando mais meteoritos, no futuro”.
Sean McMahon, que estava envolvido na pesquisa desde quando trabalhava em Aberdeen, e hoje está na Universidade de Yale, nos EUA, acrescentou:"Mesmo que o metano marciano não alimente os micróbios diretamente, pode sinalizar a presença de um ambiente quente e úmido, quimicamente reativos, onde a vida poderia prosperar".
A pesquisa foi publicada na revista Nature Communications.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

A galáxia mais luminosa do Universo

Os cientistas da Nasa descobriram a galáxia mais brilhante conhecida no Universo, graças ao árduo trabalho realizado com o telescópio espacial Infrared Survey Explorer (WISE).

WISE tem ajudado os cientistas na compilação de imagens infravermelhas do cosmos desde 2009, e ao longo de sua missão, descobriu uma nova classe de objetos, tratando-se de galáxias infravermelhas extremamente luminosas, também conhecidas como ELIRGs. Estes são alguns dos sistemas mais luminosos do Universo.


Em um novo relatório publicado esta semana no The Astrophysical Journal, uma equipe internacional de astrônomos descreveu as 20 ELIRGs, incluindo uma mais brilhante do que qualquer outra encontrada antes. Chamada de WISE J224607.57-052635.0, esta galáxia deve ter um enorme buraco negro maciço em seu interior, sugere a equipe.
"Nós estamos observando uma fase muito intensa da evolução da galáxia",disse o principal autor do relatório, Chao-Wei Tsai, em um comunicado de imprensa. "Esta luz pode ser um vislumbre do principal surto de crescimento do buraco negro da galáxia".
Galáxias muitas vezes têm buracos negros supermassivos em seus núcleos. Eles carregam gás e matéria em um disco giratório em torno deles, aquecidos a milhões de graus, irradiando uma luz super brilhante de vários tipos. No entanto, esta luz é bloqueada pela poeira, que, em seguida, emite luz infravermelha ao ser aquecida. E é justamente isso que o radar infravermelho do WISE detectou.
O que ainda não está claro é por que os buracos negros que alimentam ELIRGs são tão grandes. Os pesquisadores descrevem três causas possíveis em seu relatório. Pode ser que os buracos negros sejam simplesmente maiores do que pensávamos ser possível desde o início, ou talvez esses buracos negros supermassivos foram se alimentando do gás mais rápido do que pensávamos ser teoricamente possível, dobrando ou até mesmo quebrando um princípio chamado de Limite de Eddington.
De acordo com esse limite, um buraco negro só pode devorar a matéria antes que a luz que é expulsa leve o "alimento" fora de alcance. Mas, se o limite for quebrado, um buraco negro poderia sair de seu controle. "Outra maneira de um buraco negro crescer tanto, é ele ter tido um frenesi constante, consumindo alimentos mais rápido do que normalmente pensávamos ser possível", disse Tsai no comunicado de imprensa. "Isso pode acontecer se o buraco negro não estiver girando tão rápido”.
Ou, os buracos negros em ELIRGs poderiam estar consumindo mais matéria ao longo de um período maior de tempo. "É como ganhar um concurso de comer cachorro-quente que dura bilhões de anos", explicou de forma didática o coautor do estudo, Andrew Blain.
A galáxia emite, incrivelmente, brilho equivalente a 300 trilhões de sóis!


Fonte: DailyMail e Space Foto: Reprodução / DailyMail

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Novas Descobertas | Celestes

Supernovas:
2014bw – galáxia PGC 59263 – (Hercules) – magnitude 16.8
2014bv – galáxia NGC 4386 – (Draco) – magnitude 16.1
2014bu – galáxia NGC 694 – (Aries) – magnitude 15.5
2014bt – galáxia IC 5128 – (Grou) – magnitude16.7
2014bs – galáxia NGC 5270 – (Virgo) – magnitude 16.9
2014br – galáxia ESO 147-G17 – (Tucana) – magnitude. 17.1
2014bq – galáxia anônima – (Bootes) – magnitude 17.8
2014bp – galáxia anônima – (Bootes) – magnitude 18.1
2014bo – galáxia PGC 2186020 – (Hercules) – magnitude 19.7 (imagem indisponível até o momento)
2014bn – galáxia IC 1370 – (Aquarius) – magnitude 18.2
Cometas:
P/2014 M5 = P/2003 O3 (LINEAR)
C/2014 N3 (NEOWISE)
C/2014 N2 (PANSTARRS)
P/2014 N1 = 2004 V1 (SKIFF)
P/2014 M4 (PANSTARRS)
C/2014 M3 (CATALINA)
C/2014 M2 (CHRISTENSEN)
C/2014 M1 (PANSTARRS)
Novas:
NOVA CYGNI 2014
NOVA SCORPII 2014
NOVA CEPHEI 2014
NOVA SAGITTARII 2014
Exoplanetas:

terça-feira, 29 de julho de 2014

Prémio Nobel da Física 2011 atribuído à Expansão do Universo

The Nobel Prize in Physics 2011 was awarded for the discovery of the accelerating expansion of the Universe through observations of distant supernovae with one half to Saul Perlmutter and the other half jointly to Brian P. Schmidt and Adam G. Riess.

E esta é tradução geral para Português do comunicado da Academia Sueca de Ciências, para explicar, em linguagem simples e acessível, a atribuição do prémio.
O que está escrito nas estrelas…
“Uns dizem que o mundo acabará em fogo: outros que será em gelo…”
Qual será o destino do Universo?
Acabará provavelmente em gelo, a crer nos laureados com o Prémio Nobel da Física de 2011.
Estudaram cuidadosamente várias dezenas de explosões de estrelas, chamadas supernovas, localizadas em galáxias muito distantes, e concluíram que a expansão do universo está a aumentar.
A descoberta surgiu como uma surpresa completa até para os próprios laureados. O que viram foi como se tivessem atirado uma bola ao ar, e esta, em vez de voltar para o chão, fosse observada a desaparecer cada vez mais depressa para o céu, como se a gravidade não conseguisse voltar a atraí-la e inverter a sua trajectória. Parecia estar a suceder algo muito semelhante por todo o Universo.
A expansão crescente do Universo implica que este está a ser esticado por uma força desconhecida embutida no tecido do espaço. Esta energia escura constitui uma fatia muito grande do Universo, mais de 70% (~73%), e é um enigma, talvez mesmo o maior enigma da física actual. Não foi então uma surpresa a Cosmologia ter sentido os seus alicerces tremerem de alto a baixo quando dois grupos de investigadores apresentaram resultados similares em 1998.
Saul Perlmutter chefiava um dos 2 grupos de investigação, o Projecto de Cosmologia de Supernovas (Supernova Cosmology Project), que se iniciara em 1988. Brian Schmidt liderava uma outra equipa de cientistas que, em finais de 1994 lançou um projecto concorrente, a Equipa de Busca de Supernovas de Alto Desvio-z (High-z Supernova Search Team), no qual Adam Reiss viria a desempenhar um papel crucial.
As duas equipas de investigação concorreram uma com a outra no mapeamento do Universo à medida que iam descobrindo as explosões de estrelas supernovas mais longínquas no espaço. Ao estabelecerem a distância à supernova e a velocidade a que esta se está a afastar de nós, os cientistas esperavam revelar o nosso destino cósmico. Esperavam encontrar sinais que indicassem que a expansão do Universo estaria a abrandar, o que levaria a um equilíbrio entre o fogo e o gelo. E o que encontraram foi o oposto – a expansão estava a acelerar.
O Cosmos está a crescer.
Não é a primeira vez que uma descoberta astronómica revoluciona as nossas ideias sobre o Universo. Apenas há meros cem anos, o Universo era tido como um local calmo e pacífico, e dum tamanho igual ao da nossa própria Galáxia, a Via Láctea. O relógio cosmológico estava a tocar a as horas certas e regulares e o Universo era eterno. No entanto, cedo se verificou uma mudança radical neste quadro. No início do século 20 a astrónoma americana Henrietta Swan Leavitt  descobriu uma forma de calcular as distâncias para as estrelas distantes. Nesse tempo, as mulheres astrónomas não tinham acesso aos grandes telescópios, mas eram empregues muitas vezes para a tarefa rotineira de análise das placas fotográficas.
Henrietta Leavitt estudou milhares de estrelas pulsantes, chamadas Cefeidas, e descobriu que as mais luminosas tinham pulsos mais prolongados. Munida desta informação, Leavitt pode calcular a luminosidade intrínseca das Cefeidas.
Caso a distância de apenas uma Cefeida for conhecida, podem-se determinar as distâncias para as outras Cefeidas – quanto mais fraca for a sua luz, mais longe está a estrela. Nascera a vela padrão, o primeiro marco na régua de medição ainda em uso nos nossos dias.
Ao fazer uso das Cefeidas, os astrónomos cedo iriam concluir que a Via Láctea é apenas uma de muitas galáxias no Universo. E, nos anos 1920, os astrónomos tiveram ao seu dispor o telescópio do Monte Wilson na Califórnia, podendo assim demonstrar que todas as galáxias se estão a afastar de nós. Estavam a estudar o chamado Desvio para o Vermelhoque ocorre quando uma fonte emissora de luz se está a afastar de nós. O comprimento de onda da luz é esticado e, quanto mais longa for a onda, mais vermelha é a sua cor.
A conclusão que se impôs foi que as galáxias se estão a afastar de nós e a afastaram-se entre si, e, que quanto mais longe estão, mais depressa se afastam – este facto é até conhecido como Lei de Hubble.
O vaivém da constante cosmológica.
As observações do espaço já tinham sido previstas pelos cálculos teóricos. Em 1915, Albert Einstein publicou a sua Teoria da Relatividade Geral, que tem sido a base fundamental da nossa compreensão do Universo desde essa altura. A Teoria descreve um Universo que tem que ou se expandir ou se retrair. Esta perturbante conclusão foi alcançada cerca duma década antes da conclusão das galáxias para sempre a afastarem-se. Nem o próprio Einstein conseguiu reconciliar o facto de que o Universo não era estático. Então, de forma a parar esta expansão cósmica não desejada, Einstein adicionou uma constante às suas equações a que chamou de constante cosmológica.
Mais tarde, Einstein consideraria a inserção desta constante cosmológica um erro enorme. Contudo, com as observações realizadas em 1997-1998, a que são atribuídas o Prémio Nobel deste ano, podemos concluir que a constante cosmológica de Einstein – inserida pelas razões erradas – foi na verdade brilhante.
A descoberta da expansão do Universo foi um primeiro grande passo na direcção da agora visão padronizada e consensual que nos diz que o Universo foi criado há quase 14 mil milhões de anos. Tanto o espaço como o tempo começaram então. Desde esse momento, o Universo tem-se vindo a expandir. Se compararmos com um bolo que sobe quando é cozido no forno, podemos ver as galáxias como as passas desse bolo, a afastarem-se umas das outras devido à expansão cosmológica.
Mas, e…, para onde vamos?
Supernovas – a nova medida do Universo.
Quando Einstein se livrou da constante cosmológica e se rendeu à ideia dum Universo não-estático, relacionou a forma geométrica do Universo com o seu destino. Será aberto ou será fechado, ou será algo intermédio – teremos um Universo plano?
Um Universo aberto será aquele onde a força gravitacional da matéria não tem grandeza suficiente para evitar a expansão do Universo. Toda a matéria será diluída num espaço cada vez maior, cada vez mais frio e cada vez mais vazio.
Já um Universo fechado será, por outro lado, descrito pela força gravitacional a ter força suficiente para parar e até para conseguir fazer a expansão retroceder.
Nesta eventualidade, o Universo deixaria então de se expandir e cairia de novo em si mesmo, num fim violento e quente, num chamado Big Crunch (Grande Esmagamento). A maioria dos cosmólogos, contudo, prefeririam viver num Universo mais simples e com uma matemática mais elegante: num Universo plano, onde se crê que a expansão esteja em declínio. O Universo, segundo este modelo, não acabaria nem em fogo nem em gelo. Só que não há por onde escolher. Pois que se existe uma constante cosmológica, a expansão continuará a acelerar, mesmo que o Universo seja plano.
Os laureados com o Nobel deste ano esperavam medir a desaceleração cósmica, ou como estaria a diminuir a expansão do Universo. O seu método usou o mesmo princípio do método utilizado pelos astrónomos mais de seis décadas antes: localizar as estrelas distantes e medir os seus movimentos. No entanto, isto é fácil de se dizer e é muito mais difícil de se fazer na prática.
Desde os tempos de Henrietta Leavitt foram encontradas muitas mais Cefeidas que até são muito mais longínquas. Mas, nas distâncias a que os astrónomos precisam de ver, a milhares de milhões de anos-luz de distância, as Cefeidas já não são visíveis. A vela padrão que servia de régua precisava de ser esticada.
Henrietta Swan Leavitt. Ela descobriu e catalogou 1777 estrelas variáveis situadas nas Nuvens de Magalhães. Em 1912, a partir de seu catálogo, ela descobriu que a luminosidade das variáveis cefeidas era proporcional ao seu período de variação de luminosidade. Essa relação período-luminosidade é a base de um método de estimação das distâncias de nebulosas e de galáxias no Universo. Os resultados de Leavitt foram usados por cientistas como Ejnar Hertzsprung, Harlow Shapley e Edwin Hubble e foram cruciais para o desenvolvimento da Astrofísica e da Cosmologia.
As supernovas – explosões de estrelas – tornaram-se nas novas velas padrão. Os telescópios mais sofisticados no solo e no espaço, a par dos computadores mais poderosos, permitiram, durante os anos 1990, que se adicionassem mais peças ao puzzle cosmológico. Foram cruciais os sensores digitais sensíveis à luz – os chamados CCD (Charged Cuple Device – DCA ou Dispositivo de Carga Acoplada) – uma invenção de Willard Boyle e de George Smith que lhes valeu o Prémio Nobel da Física de 2009.
Anãs brancas a explodirem
A nova ferramenta na caixa dos astrónomos é um tipo especial de explosão estrelar, a supernova tipo Ia. (É como um 1 romano, que escrevemos com a letra i maiúscula , seguido de um “a”  - n.t.).
Durante algumas, poucas, semanas, uma só supernova deste tipo pode emitir tanta luz como uma galáxia inteira. Este tipo de supernova é uma explosão duma estrela antiga extremamente compacta que é tão pesada como o Sol mas que é tão pequena como a Terra – uma anã branca. A explosão é o estádio final do ciclo de vida da anã branca.
As anãs brancas formam-se quando uma estrela não tem mais energia no seu núcleo, dado que todo o hidrogénio e todo o hélio já foram consumidos nas reacções nucleares. Somente restam o carbono e o oxigénio. Será desta forma que, num futuro distante, o nosso Sol se desvanecerá e arrefecerá à medida que atinge o seu fim como uma anã branca (O Sol é actualmente uma anã amarela e ainda será uma gigante vermelha antes de atingir o ciclo de anã branca – n.t.). Um fim bem mais excitante aguarda uma anã branca que faça parte dum sistema binário, o que é uma situação bastante comum.

Neste caso, a forte gravitação da anã rouba o gás à sua estrela companheira. Contudo, quando a anã branca tiver crescido para 1.4 vezes a massa solar, já não consegue manter-se conjugada. Quando isto acontece, o interior da anã torna-se quente o suficiente para que se iniciem reacções de fusão descontroladas, e o gás é totalmente desfeito numa questão de segundos.
Os produtos das fusões nucleares emitem uma radiação forte que vai aumentando durante as primeiras semanas a seguir à explosão, para decrescer ao longo dos meses seguintes. É por isso que há como que uma corrida às supernovas – dada a brevidade destas explosões. No Universo visível ocorrem cerca de dez supernovas Ia por minuto. Só que o Universo é enorme. Numa galáxia típica ocorrem uma ou duas explosões de supernovas por milénio.
Em Setembro de 2011, tivemos a sorte de podermos observar uma supernova deste tipo numa galáxia perto da Ursa Maior, visível com o auxílio dum simples par de binóculos.
Nota: Para um post detalhado sobre esta supernova, temos este artigo do Luís Lopes aqui no AstroPt.
Mas a maioria das supernovas está muito mais longe, logo são muito menos intensas. Então, na redoma do céu, onde e quando procurar?
Uma conclusão espantosa
As duas equipas concorrentes sabiam que teriam que passar os céus a pente fino, se queriam localizar as distantes supernovas. O truque consistiu em comparar duas imagens do mesmo pequeno pedaço de céu, que corresponde a olhar-se para um polegar na ponta do braço esticado. A primeira imagem tem que ser captada logo a seguir à Lua Nova e a segunda três semanas depois, antes que o luar inunde o céu e absorva a luz das estrelas.
Podem então as duas imagens ser comparadas na esperança de se descobrir um pequeno ponto de luz – um pixel entre outros na imagem CCD, (DCA) – que poderá ser uma assinatura duma supernova numa galáxia distante. Apenas se utilizaram supernovas no mínimo a um terço da distância do Universo visível, de forma a eliminarem-se as distorções locais.
Os investigadores tiveram que lidar com muitos outros problemas. As supernovas do tipo Ia não são tão previsíveis como inicialmente se supunha – já que as explosões mais luminosas se desvanecem mais rápido. E, o que é mais, a luz das supernovas precisava de ser extrapolada da luz envolvente das suas galáxias anfitriãs. Outra tarefa importante foi a de se calibrar a intensidade correcta. As poeiras intergalácticas que se interpõe entre nós e as estrelas alteram a luz estrelar. Isso afecta os resultados quando se calcula a luminosidade das supernovas.
Uma anã branca rouba o gás da sua vizinha usando para o efeito a sua gravidade. Quando a anã branca cresce até 1.4 vezes a massa do Sol, explode como uma supernova tipo Ia.

Imagem Harvard Gazette.Supernova

Localizar as supernovas desafiou não só os limites da ciência e das tecnologias como também os da logística. Primeiro, foi preciso localizar o tipo certo de supernova. Depois, foi ainda necessário medir-se o seu desvio para o vermelho e a sua luminosidade.A curva de luz teve que ser observada ao longo do tempo de forma a poder-se comparar com outras supernovas do mesmo tipo com as suas distâncias já conhecidas.
Legenda – Este gráfico de luminosidade (Relativo ao Sol, L0) em função do tempo, ilustra a curva de luz característica duma supernova do tipo Ia. O pico é sobretudo devido ao decaimento do Níquel (Ni), enquanto num estádio posterior é alimentado pelo Cobalto (Co).

Isto exigiu uma rede de cientistas que pudessem decidir com rapidez se uma estrela em particular era um candidato que merecesse ficar sob observação. Precisavam de serem capazes de mudar de telescópio e de terem tempo de observação disponível sem demoras, o que contrariava um procedimento que normalmente demora meses.
Precisavam de actuar com toda a rapidez já que uma supernova depressa se desvanece. Por vezes, as duas equipas concorrentes entre-cruzavam discretamente os seus quadrantes de busca.
As armadilhas potenciais foram numerosas, e, na verdade, os dois grupos de cientistas ficaram bastante reconfortados por terem chegado aos mesmos, e espantosos, resultados: ao todo, encontraram cerca de 50 supernovas cuja luz parecia ser mais débil do que o esperado. Era o contrário do espectável. Se a expansão cósmica tivesse vindo a perder velocidade, as supernovas deveriam aparecer mais luminosas. Contudo, as supernovas estavam a desvanecer-se à medida que se iam, cada vez mais, afastando, embutidas nas suas galáxias. A surpreendente conclusão foi que a expansão do Universo não está a abrandar, mas antes a acelerar.
Até à eternidade (From here to eternity – o famoso filme com Montgomery Cliff)
Então o que está a acelerar o Universo? Chama-se energia escura e é um desafio para os físicos, é um enigma que ninguém ainda conseguiu resolver. Foram avançadas diversas ideias. A mais simples é a de se reintroduzir a constante cosmológica de Einstein, que ele próprio em tempos rejeitara. Nessa ocasião, Einstein inserira a constante cosmológica como uma força anti-gravitacional da matéria de forma a poder criar um Universo estático.
Hoje, a constante cosmológica parece, ao invés, estar a acelerar a expansão do Universo.
A constante cosmológica, é, naturalmente, constante, e como tal não se modifica ao longo do tempo. Então, a energia escura torna-se dominante quando a matéria, logo a sua gravidade, se dilui devido à expansão do Universo no decorrer de milhares de milhões de anos. De acordo com os cientistas, isso explicaria porque é que a constante cosmológica entrou tão tarde em cena na história do Universo, acerca de apenas cinco a seis mil milhões de anos. Nessa era, a força gravitacional da matéria ter-se-ia enfraquecido o suficiente em relação à constante cosmológica. Até essa altura, a expansão do Universo tinha vindo a desacelerar.
Imagens comparativas da luminosidade de 3 supernovas tipo Ia.
Crédito Hubble Space Telescope.
Legenda – 3 distantes supernovas tipo Ia, tal como forma observadas pelo Hubble em 1997. Dado que as supernovas tipo Ia têm a mesma luminosidade, são usadas para se medir a energia escura e os seus efeitos na expansão do Universo. As imagens por baixo são detalhes das vistas de profundidade de campo alargado, que estão acima. As supernovas da esquerda e do centro ocorreram há cerca de cinco mil milhões de anos, a da direita, há sete mil milhões de anos.
A constante cosmológica pode ter a sua origem no vácuo, o espaço vazio que, de acordo com a Física Quântica, nunca está completamente vazio. Em vez disso, o vácuo é uma sopa quântica de bolhas onde as partículas virtuais da matéria e da anti-matéria surgem, existem, e deixam de existir, saltitando da existência para a não-existência, dando azo a que surja a energia.
No entanto, a estimativa de cálculo mais simples para a quantidade de energia escura não corresponde, de todo, à quantidade que foi medida no espaço, que é de cerca de 10^120 (1 seguido de 120 zeros). ^significa elevado à potência de, por nota aqui da tradução para o AstroPt.
Isto constitui uma diferença enorme e ainda inexplicada entre a teoria e a observação. Em todas as praias do mundo não existem mais do que 10^20 (1 seguido de 20 zeros) grãos de areia.
Pode ser que, afinal, a energia escura não seja constante. Talvez ela mude ao longo do tempo. Talvez um campo-força desconhecido gere a energia escura apenas ocasionalmente. Na Física existem muitos campo-força semelhantes que se agrupam sob o nome colectivo de quintessência, com étimo na palavra grega para designar o quinto elemento. A Quintessência poderia acelerar o Universo, mas somente ocasionalmente. Isto tornaria impossível de prever o destino do Universo.
Seja o que a energia escura for, perece que veio para ficar. Encaixa muito bem no puzzle cosmológico que os físicos e os astrónomos têm estado a elaborar desde há muito tempo.
De acordo com o actual consenso, cerca de três quartos do Universo consiste de energia escura. O restante é matéria. Mas a matéria normal, o material de que são feitos e feitas galáxias, estrelas, seres humanos e flores é apenas 5% do Universo. A restante matéria é chamada de Matéria-Escura e até agora tem estado escondida das nossas vistas.
NT – Valores arredondados.
Energia escura: afasta as coisas ~75% do Universo
Matéria escura: cola as coisas ~20% do Universo
Matéria normal: cola as coisas ~5% do Universo
A designação correcta em Física da matéria normal (a do dia-a-dia) é matéria bariónica. Fim de nota.
A matéria escura é um outro mistério do nosso cosmos deveras maioritariamente desconhecido: tal como a energia escura, a matéria escura é invisível.
Conhecemos as duas através dos seus efeitos – uma está a empurrar, a outra está a puxar. Só têm o adjectivo “escura” em comum. Assim sendo, as descobertas dos laureados com o prémio Nobel da Física de 2011 ajudaram a desvendar um Universo que é ainda 95% desconhecido para a Ciência. E tudo voltou a ser possível.
O destino do Universo
Um Universo em Expansão

A pizza do Universo – valores aproximados.

Fonte: http://astropt.org/ por Manel Rosa Martins